quinta-feira, agosto 30, 2012

Ventos

Ventos, mares, odisseias de pensamento
Distantes da prosa dos dias
Volumes de livros esquecidos lá no alto
Da estante
Cheios de pó

Estrelas, ondas, luares de mágica inquietação
Inalcançáveis sem mapa de cruz
Não há tempo
Não se atrevam a pensar
Pare-se ou morra-se

Não vamos morrer!
Não queremos morrer!
Um outro sistema!
Um outro poema!

Tempestades, maremotos, centopeias de momentos
Presentes na prosa dos dias
Volumes de discos velhos de ouvir
Da estante
Cheios de pó

Estrelas, ondas, luares de mágica inquietação
Inalcançáveis sem mapa de cruz
Não há tempo
Não se atrevam a pensar
Pare-se ou morra-se

Não vamos morrer!
Não queremos morrer!
Um outro sistema!
Um outro poema!



quinta-feira, agosto 23, 2012

Um conjunto de tarefas distribuídas em pequenos papéis coloridos por todo o lado. Um desígnio de ser melhor, cada vez melhor, em cada uma delas. A perda de memória. O empobrecimento da visão. O medo disfarçado de fadiga. O passar do tempo vestido de auto-estrada interminável. O desejo de poder escolher o não viável. O respirar acelerado por andar um minuto. De minuto em minuto. De minuto em minuto. De minuto em minuto.

quarta-feira, agosto 22, 2012

A despedida

Falar debaixo de água, buscando múltiplas vias de comunicação, interlocutores vários, embora em quantidade reduzida, e influentes. A Sra. Dra. Sacha, o Sr. Cavaco e Silva, o amigo e psicólogo Afonso. A solidão, profunda, disfarçada pela companhia num mundo subaquático. O nada, travestido de ideia exuberante. A certeza da traição, a dúvida na confiança. O desligar do pouco que se mantinha conectado. Solicitam-se remendos para o irreparável.
A história é a de um homem, vivido, e a morrer, actualmente, numa pensão, numa zona em frente à estação de comboios. Ponto de chegadas e partidas, covil para os negócios e transacções de produtos da noite, envolvendo, entre outra gente, pessoas marcadas pela temporalidade da necessidade e da gratificação imediata. A pensão tinha bichos que se escondiam, conta este homem. Os bichos que lhe envenenaram o sangue. O sangue por sua vez, tendo em conta que está doente, tem-se deixado esvaziar. “Preciso de ir ao hospital buscar sangue novo para substituir este”. “Estou à espera que me venham buscar do hospital para me operarem”. Sempre à espera que alguém apareça para o cuidar. O homem, quase sem nome, tinha, segundo ele, a perna partida. Antes de falar debaixo de água, contudo, referia que o seu problema era na anca. Estaria, já naquele tempo, à espera de uma operação muito arriscada que envolveria a possibilidade de ficar sem conseguir andar. Estava, no entanto, disposto a correr esse risco. “Porque viver assim não vale a pena.” O homem F. (é estranho, mas não me apetece dar-lhe um nome fictício. Seria, para mim, doloroso. Sentir-me-ia a passar uma borracha nessa réstia da sua própria humanidade) andava de muletas. Vestia, frequentemente, uma t-shirt vermelha do instituto de socorros e náufragos. Os seus olhos, enquanto se deixam pousar, são castanhos e, parece, ainda levam ao coração (?). Tenho dúvidas, no entanto. O som do seu andar “Tac, Tac” corresponde ao bater da muleta, também ela sem protecção entre o metal da sua base e o chão. Se desse para ouvir um “Tic” entre aquele bater, diria que era o som de um relógio em contagem decrescente, “Tic Tac”, e que o homem F. aguardava, entre conversas debaixo de água e uma esperança delirante, que chegasse o comboio para o levar daqui. Diria que, pelo seu sofrimento e processo de desligamento, o comboio estava atrasado. O homem ia vivendo (morrendo). Da sua história, pouco sei. Humilde, no contacto. Fala de uma sobrinha por quem nutre algum afecto. Pouco mais. Antes de se transformar numa espécie de Aquaman, vivia numa casa partilhada por outras pessoas que terá transformado em objectos persecutórios. Acabou transferido para uma pensão. Às vezes, quando come, diz que a comida desaparece assim que a ingere e que não fica nada dentro de si. Vai almoçar a uma cantina social. Vagueia entre instituições de cuidados de forma alheada. Tem 45 anos de
tentativa de vida. Talvez esteja a ser consumido pelas consequências desta. Talvez se resigne a uma (des) existência precária. Talvez não haja solução. A dissolução das partes intactas da mente, tal e qual o método utilizado por um centro de abate de veículos com as peças de um automóvel em fim de vida, talvez surja como a única via de (tentar) remendar o irreparável, e prover a ilusão de que alguns daqueles bocados de mente ainda possam ser salvos… ou, simplesmente, possam ir morrendo, sentindo-se menos sós.


Solicitam-se remendos para o irreparável.

sexta-feira, julho 06, 2012

Não há

Complexos e complexidades. O paradoxo da aceitação/não aceitação. A integração do bom e do mau. Do frio e do quente. Da ilusão e do possível. Há momentos em que o estranho se torna familiar e o familiar é, sem dúvida, do mais estranho que existe. Palavras soltas. Momentos de tomada de consciência de teias familiares complexas. Espelhos distorcidos. Narciso. A pergunta para a qual se sabe a resposta. Só temos o que temos e mais não temos ainda que não estivesse longe a possibilidade de virmos a ter mas como não temos, não há.

quarta-feira, junho 13, 2012

trabalha-se muito

Sem muitas palavras para partilhar, mas tanto coisa dentro... O tempo de elaboração não é suficiente para conseguir escrever. Trabalha-se muito.

Mas não é sexta-feira. yé

Talvez num destes dias próximos a escrita ganhe ao cansaço...

terça-feira, maio 29, 2012

Em jeito de canção... (feliz)

Cara bonita
Cara linda
És quem eu amo

Cara bonita
Cara linda
És quem eu chamo

Cara bonita
Cara linda
Vamos fazer um filho
Cara bonita
Cara linda
Vamos fazer outro filho

Cara bonita
Cara linda
És quem eu quero

Cara bonita
Cara linda
És quem eu gosto

Cara bonita
Cara linda
Vamos fazer um filho
Cara bonita
Cara linda
Vamos fazer outro filho

sábado, maio 26, 2012

lamenta-se

Falta arte, engenho, inteligência e audácia na resolução de conflitos.
"É sempre a mesma merda."
Perdem sempre todos e inevitavelmente os mesmos.

quinta-feira, maio 24, 2012

A quem queira abraçar

A realidade permitirá que o sonho dê lugar ao projecto e este a uma nova realidade... Abriremos portas com o nosso atrevimento. Aprofundaremos o olhar com a nossa inquietude. Vamos expandir o desejo e a vontade. Ganhemos mais, muito mais, esperança. Recriemos o que existe, porque isto, só, neste estado das coisas, não chega.

quarta-feira, maio 23, 2012

Representemo-nos

A época em que vivemos é de transição para o lugar da não previsibilidade. Questiono-me relativamente ao modo de como viemos cá parar. E desejo sinceramente poder colaborar numa solução para (re)criar dias melhores.
Politicamente? Penso que necessitamos de uma consciência crítica global de cooperação e de abertura ao outro. E justiça. Formal, ou caso esta não resulte, de carácter informal. Se o sistema actual não funciona, precisamos de um outro caminho. Mais participado, menos partidocrático. 
Que possamos fazer expressar o nosso sentir e torná-lo verdadeiramente representado!
A todos. 



quarta-feira, maio 16, 2012

A paz

Alguém me disse no outro dia que a paz só existe quando há voz, caso contrário, não é paz aquilo que se expressa, mas sim medo...

Vamos dar voz à esperança de dias melhores!

segunda-feira, maio 14, 2012

Dia de desejo de prorrogação do tempo das amizades...