quarta-feira, novembro 26, 2008

Eu não sei...

Eu não sei o que escrever. Silêncio. Embora pense alto, quotidianamente. O barulho de uma explosão. River Dance. Faço sapateado com os meus pensamentos, mas parece que os sons do teclado não mais têm podido acompanhar. Não sei porquê.
Eu não sei o que escrever. Ruído. Talvez me tenha tornado temerário da eternidade da escrita das palavras, ao contrário do circuito eléctrico do pensar, aparentemente mais efémero. Digo, e uso, o aparentemente de forma irónica, pois parece que há pensamentos, recorrentes, que nos atam e não desaparecem, embora, em teoria, não tenham sido escritos em nenhum lugar.
Eu não sei o que escrever. Os sonhos parecem ocupar o lugar da escrita. O registo talvez se deseje ser, ele, não eu, duramente pessoal e intransmissível...
Eu não sei o que escrever... as páginas são tantas... tão cheias de negro, como vazias de branco... o símbolo abstracção espalha-se no dia a dia... entre meios, de transporte, fins, como objectivos de passagem, ritos mais ou menos inconscientes de crescimento. Lugares de não lugares cada vez mais revelados.
É obsceno.