sexta-feira, setembro 21, 2007

segunda-feira, setembro 03, 2007

majorette

Quando era pequeno, tinha muitos sonhos. Ficava a imaginar como seria tranquilo o mundo dos crescidos. Pensava que ser grande era assim uma espécie de defesa contra o sentirmo-nos pequenos. Agora, cresci. Estava redondamente enganado.
Quando era pequeno, recordo-me de brincar com os meus playmobil e também com alguns dos bonecos das tartarugas ninja. Eram muitos, e sonoros, os combates naquele tempo. Não havia feridos, nem consequências de maior. O dia seguinte iria amanhecer, inevitavelmente, pensava eu.
Mais tarde, soube eu, afinal, as guerras eram outras. De maior dimensão, talvez, com mais baixas e maiores danos colaterais interiores... maiores do que aquilo que eu poderia imaginar entre os combates do destruidor com o mestre splinter, ou entre as corridas entre carrinhos dos 150 ou, eventualmente, se fossem as corridas de elite lá da rua, com um da majorette. O meu preferido era um jaguar côr de vinho. Mais tarde, tive uma limousine prateada da Mercedes.
Andava com a minha limousine para todo o lado. Aquilo fazia parte do meu imaginário. Via aqueles carros na televisão e nos filmes. Talvez me imaginasse lá dentro, simultaneamente na ribalta, e protegido por todo o seu conforto e robustez. It never happen.
Quando era pequeno, tinha muitos sonhos. A minha canção preferida era uma da Miluvit que dizia que iríamos crescer. Lembro-me de andar com a minha limousine e a cassete do vitinho para todo o lado. A almofada do vitinho também me acompanhava. Acho que era ela que me abria a porta para o mundo dos sonhos. Curiosamente, desses sonhos de dormir, lembro-me de poucos. Acho que esperava pelo dia seguinte. Às vezes revia o dia que tinha passado, lembrava-me do que de bom ou de mau tinha acontecido. Ria. Calava o descontentamento. No dia seguinte estaria, certamente, tudo bem.
Quando era pequeno, tinha muitos sonhos. Escutava a cassete do vitinho, xutos e pontapés, e, mais tarde, resistência. You have got to fight for your rights.