quarta-feira, agosto 30, 2006

Amores perfeitos

Passeio nas ruas. Reparo nalguns canteiros floridos que se deixam repousar indiferentes a quem passa junto deles. São amores perfeitos - quem é que se terá lembrado de nomear estas flores desse modo? São seres vivos embelezantes, da terra, da berma da estrada, da esplanada de um café central. Não têm ouvidos ou nariz, nem tão pouco boca. Se tivessem talvez pudessem partilhar connosco as mil e duas tardes (talvez menos, porque entretanto há flores que morrem e dão lugar a outras) de conversas, de sonoridades, de odores, de vento, de maresia, a que já assistiram. Se tivessem aparelho digestivo talvez pudessem estar connosco à mesa de um restaurante comendo, saboreando e partilhando satisfações. Se tivessem membros poderiam dançar connosco e passear com os pés descalços assentes na areia, como se de uma massagem esfoliante a eles se tratasse. Se tivessem pensamento poderiam ter a consciência do quão bom é poder dizer, a alguém que nos deixa os lábios em sorriso, "bom dia", "boa tarde", "boa noite", "boa sorte", "bons sonhos", "boa caminhada", "boa viagem", "bom trabalho", "bom regresso", "bom passeio", "bom apetite"...
Felizmente não somos flores. Temos sentidos e instrumentos para abraçar o mundo de maneira diferente daquela dos habitantes floridos. Com o corpo animado (anima vem do grego e significa alma) pelos seus ritmos, emoções e pensamentos...

terça-feira, agosto 08, 2006

Destinos

Recupero pensamentos. Sorrio. Deixo-me tocar por uma boa saudade. Apetece-me, pois, partilhar algumas das imagens desse meu pensar...